No Tem no SUS! a pessoa chega com dor, rede ruim e pouca familiaridade com telas. Isso muda o que conta como boa interface.
Quando o público procura psicólogo às onze da noite, no interior, com sinal de uma barra, a interface não pode pedir aprendizado. Ela precisa aceitar a frase torta que a pessoa digitou e responder alguma coisa útil na primeira tentativa.
Isso empurrou três decisões que eu não teria tomado num produto comum: busca que tolera erro de digitação, leitura em voz alta como recurso central e não como opção escondida, e dado guardado localmente para a tela abrir mesmo sem rede.
Acessibilidade aqui não foi acabamento. Foi o que definiu a arquitetura: se o cadastro nacional fosse consultado durante a busca, nada disso funcionaria.
No CadVision a IA extrai dados de nota fiscal e foto, mas nada sai para a loja sem alguém confirmar. O ganho está justamente aí.
Automatizar cadastro de produto inteiro parece a promessa óbvia. Só que catálogo errado gera venda errada, devolução e prejuízo, e a pessoa que responde por isso não é o modelo de linguagem.
A escolha foi tratar a IA como quem preenche o formulário, não como quem aperta o botão. Ela lê imagem e documento fiscal, propõe os campos e explica de onde tirou cada um. A validação continua humana, e ficou rápida porque só resta conferir.
O resultado é menos vistoso do que dizer que tudo é automático, e sobrevive melhor ao uso diário.